Se isso é fazer humor, o que seria falta de respeito?

Já aviso quem curte o programa Pânico na TV que este post não vai talvez ser do seu agrado, mas preciso usar o espaço que aqui tenho para me manifestar. Nunca fui fã de humor que ridicularize – tirando umas piadas ou outras junto com meus amigos em rodas de bar – e nem sou fã de gente que queira aparecer às custas disso. E hoje li uma notícia que me deixou chocado de poder ver a que ponto chega a capacidade e a falta de noção de pessoas que se dizem profissionais.

O portal R7, mais precisamente o jornalista Miguel Arcanjo – que diferente de tantos outros que cobrem celebridades, sempre desempenhou muito bem sua função – noticiou um constrangimento gerado pela equipe do Pânico na TV durante o lançamento da biografia da atriz Glória Pires no shopping Higienópolis, em São Paulo. A “humorista” Vanessa Barzan, (des)conhecida como Mulher Arroto, passou dos limites ao tentar fazer das suas “gracinhas” com a atriz Laura Cardoso, que estava prestigiando a colega de profissão. Observem o que o jornalista escreveu:

Enquanto Laura se dirigia para a saída do shopping, a integrante do Pânico tentou abordar a atriz, fez-se passar por jornalista e lhe pediu uma entrevista.

Mesmo já tendo falado com a imprensa, Laura, para não fazer a desfeita, aceitou conversar. Quando os jornalistas perceberam o que iria ocorrer, um deles foi até Laura e a avisou do objetivo da falsa repórter: arrotar em seu rosto. A atriz, constrangida, pareceu não acreditar naquilo. Laura ainda questionou a uma amiga jornalista:

– O que eu fiz para ela fazer isso comigo?

Agora me digam se tem explicação, cabimento, algum motivo para que essa pessoa que se acha profissional e que também deve achar engraçado fazer isso, de arrotar no rosto das pessoas, com uma senhora tão prestativa e renomada como é Laura Cardoso, do alto de seus 82 anos de idade e mais de 50 de carreira. E isso não é falta de respeito apenas com Laura não, porque ela não é a primeira e certamente também não será a última a passar por tamanho constrangimento pelas “graças” desses que se consideram humoristas.

Laura Cardoso foi tema do meu documentário – que fiz como trabalho de conclusão de curso de Jornalismo, em parceria com a hoje também jornalista Tatyana Azevedo – e posso aqui, com muito orgulho, defendê-la porque passei praticamente seis meses participando de sua vida, conversando com ela e posso garantir que Laura jamais seria indelicada ou se negasse a um pedido de entrevista da tal integrante do Pânico. Assim como sempre me foi prestativa em tudo o que eu e minha parceira de TCC precisamos, certamente Laura teve prazer em ser convidada pela equipe do Pânico a conversar com eles. Porém, esse tipo de gente não merece a atenção que lhes é dada.

Laura Cardoso e @andrevendrami em 2007 na época do TCC

Essa senhora, atriz, dama e mulher digna não merecia passar por isso, e por sorte, pessoas de bom senso, de respeito e que sabem com quem estavam tratando alertaram Laura a tempo de evitar que um arroto lhe interrompesse uma fala, que seria vã. E pensar que tem gente que ainda acha graça. Talvez Vanessa Barzan devesse, ao invés de arrotar na cara de pessoas como Hebe Camargo e Laura Cardoso, era aprender com elas o que é fazer humor, o que é ser engraçado, o que é ter o timming da comédia.

É por causa de gente com esse tipo de humor nojento e sem escrúpulos que me envergonho de ver programas como Pânico na TV, e até me envergonho de ser humano. Arrotar no rosto das pessoas é algo que não se faz, seja no de uma senhora com 82 anos, seja no de um menino de 8. É falta de respeito, é falta de berço, de educação. Muito me envergonha que a Rede TV! pague salário a esse tipo de “profissional” e tenha quadros desse tipo em sua grade. Não é a toa que são chamadas de emissoras de segundo ou até, me arriscaria dizer aqui depois de tal fato, terceiro escalão.

Fica aqui o desabafo desse jornalista em início de carreira, que conheceu Laura Cardoso de uma forma humana, soube respeitá-la, soube dar-lhe seu valor e que viu nessa senhora encantadora, de uma bondade imensa e um brilho nos olhos ao falar de sua arte, tudo aquilo que Vanessa Barzan jamais saberá o que é. Aliás, outra coisa que ela jamais saberá o que é é fazer humor. E aliás, Vanessa Barzan, nem adianta ficar queitinha, a gente nunca vai gostar de você!