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Não é sexo, nem sacanagem! Cinquenta Tons de Cinza é quase uma comédia romântica

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É hoje! Após longos três anos de espera, muita febre e bafafá, eis que a versão cinematográfica de Cinquenta Tons de Cinza chega às telonas. E a mulherada, obviamente, está enlouquecida de ansiedade para ver o enigmático Christian Grey em carne e osso. E também a sortuda Anastasia Steele, a menina comum que conseguiu conquistar o corpo deste homem maravilhoso, rico e bom de cama.

O Fica Quietinho esteve na sessão para a imprensa, que rolou no início da semana, e podemos garantir uma coisa: o filme está longe, mas muuuito longe, de ser chocante. Sabe aquele constrangimento de ler determinadas cenas do livro em um espaço público e ter a sensação de que todos estão te olhando e te julgando? Fique tranquilo, que isso não vai acontecer no cinema. Dá para levar marido, namorado e até sua mãe para assistir juntos.

O texto do filme é quase inteiramente fiel à obra original. E isso não é um ponto positivo, tá? Quem leu, sabe que a narrativa de E.L. James chega a ser repetitiva, por vezes arrastada e infantilizada. Mas, mesmo assim, agradou milhões de mulheres. Tirando isso, muitas coisas mudam. Mas muitas mesmo! E o sexo – ah, o sexo! – esse sim deixou a desejar.

Caso você não tenha lido o livro e só tenha ouvido falar dos detalhes sórdidos, Cinquenta Tons de Cinza conta a história de Anastasia Steele (Dakota Johnson), uma jovem comum, virgem, recatada, estudante de literatura, que por conspiração dos astros acabou parando na sala do magnata, bilionário, lindo, tesão, bonito e gostosão Christian Grey (Jamie Dornan). O interesse mútuo surge logo nos primeiros minutos de conversa e aí que o ~problema~ começa a acontecer. Ela quer namorar, ganhar flores e mensagens com corações saltitantes, enquanto ele apenas busca uma mulher para comandar. É que o rapaz é praticante de ‘bondage’- dominação e submissão sexual, sempre relacionada ao sadomasoquismo – e a menina se assusta. Mas em vez de se afastarem, aproximam-se cada vez mais e Ana acaba se permitindo levar umas palmadas e chicotadas.

A história original é regada a sexo, com cenas narradas nos mínimos detalhes. Mas a diretora Sam Taylor-Johnson deu uma certa elegância ao filme, evitando alguns encontros calorosos entre Ana e Grey. Para sexo, pegação e chicotada foram reservados alguns poucos minutos. E, acredite, não é nada que você já não tenha visto na novela das oito. A diferença é que a personagem aparece vendada e amarrada.

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E onde entra o sadomasoquismo nesta história?
É exatamente essa pergunta que fizemos ao final da sessão. O quarto de jogos – onde Christian exerce sua dominação – é de dar inveja a qualquer dono de sex shop. Mas a tal da ‘bondage’ foi leve, com sr. Grey usando poucos elementos de seu arsenal (chicotes, vendas e cordas). Tudo parecia mais uma versão moderna do tradicional papai e mamãe. Não instiga e não incomoda a plateia.

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Nudez? Sim, você verá. Mas somente peito e bundas. A ousadia (sqn) é um rápido olhar nos pelos pubianos dos personagens, que aparecem na tela e, num piscar de olhos, somem. Mas o que incomoda mesmo é saber que o filme é feito para mulheres e explora mais a nudez feminina que a masculina. Mesmo dentro do quarto de jogos, enquanto Ana já está pelada, amarrada e pronta para sofrer, seu domador aparece vestindo suas calças.

Sexo? Opa, são vinte minutos de rala e rola. Mas não tem aquela violência que incomoda e atormenta Anastasia – e todas as leitoras – no livro. E a falta de química entre os atores é perceptível desde o primeiro beijo.

E Rita Ora, foi uma boa atriz? Deve ter sido. Intérprete de Mia, irmã de Christian, ela aparece MUITO rápido em uma cena, tem duas falas e nunca mais dá as caras. Mas isso acontece com a maioria dos coadjuvantes. A história é centrada em Anastasia e Grey, e a diretora preferiu limar os personagens secundários, equivalendo-os a figurantes.

Depois de tantos defeitos, tem alguma coisa boa neste filme?
Tem sim. Jamie Dornan (multiplica, senhor!) é um deles. A beleza do ator é explorada com os closes das câmeras. Dakota Johnson também está ótima no papel e deixou a personagem menos boba que no livro. O cuidado da diretora em não transformar um texto pobre em algo mais elegante, e não deixar a trama caminhar para a linha da pornografia, é digno de aplauso. As locações e todo o luxo também impressionam. E a trilha sonora, que conta com uma nova versão de Beyoncé para Crazy In Love e uma inédita de Ellie Goulding, são encaixadas perfeitamente na trama.

Resumindo: se você ama a saga literária, terá fortes chances de sair do cinema irritada com o direcionamento que foi dado ao filme. Por isso, aconselhamos assistir sem muitas expectativas. E depois nos diga o que achou de Cinquenta Tons de Cinza.