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Crítica | Britney até falha em ‘Glory’ mas compensa em acerto e autenticidade

*Colaboração de Renan Domingues

She is back. The Legendary Miss Britney Spears apresenta seu nono álbum: Glory. Mas será que o sucessor do flopculpadowill.i.amcapadeletreirodemotel controverso Britney Jean (2013) consegue entregar o que foi prometido em 2013? Os álbuns da Britney Spears sempre abriam “in your face” com o lead single ou outra música já trabalhada. A mudança desse padrão foi um dos poucos acertos do Britney Jean, com Alien.

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Em Glory não foi diferente. Invitation foi a escolha perfeita para abrir o álbum. Mais carregada no dream pop e com uma vibe mais “épica”, a faixa é literalmente um convite para o disco: “here’s my invitation, baby / hope it sets us free / to know each other better / put your love all over me”. Esse primeiro tiro cumpre o seu papel de dar uma prévia do que podemos esperar do restante do álbum e nos deixa querendo mais. Funciona como Consideration no ANTI (Rihanna – 2016), Pray You Catch Me no Lemonade (Beyoncé – 2016) e Moonlight no Dangerous Woman (Ariana Grande – 2016).

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Depois, passamos por Make Me…, Private Show, Man On The Moon, todas mantendo a leveza do álbum, que se despede com Just Luv Me. Mesmo que você já esteja cansado de ouvir o lead single, lançado há pouco mais de um mês, irá ouvir de novo. A música está bem posicionada e dá continuidade à pegada gostosinha do álbum. É um estilo diferente: menos “agressivo” e apelativo, porém, mais autêntico. E sim, o videoclipe é péssimo.

Na faixa homônima de seu novo perfume, Private Show, Britney abusa do autotune, mas é intencional e divertidamente sexy. Com certa influência no R&B, é definitivamente uma faixa sensual e feita para suas coreografias de braço.

Man On The Moon é um dos melhores momentos do álbum. Britney entrega o que seria a terceira parte de uma trilogia iniciada com Heaven On Earth no Blackout (2009) e Trip To Your Heart no Femme Fatale (2011). Junto com Just Love Me, essa faixa consolida a ideia de uma Britney mais madura profissionalmente, consistente, consciente do material que está lançando, talvez até pelo fato de que a letra das músicas a mostrem insegura e vulnerável (curioso esse paradoxo, né?).

Com Clumsy entramos em uma nova “fase” do álbum. Nessa faixa, Britney nos devolve ao In The Zone (2001) com gemidos e suspiros que remetem à Toxic. Clumsy não tem nada de clumsy (desajeitada) e sabe muito bem a que veio, com direito a um “oops!”, clara referência à clássica Oops!… I Did It Again.

A partir daqui, Britney arrisca menos. Do You Wanna Come Over?, Love Me Down, Hard To Forget Ya e What You Need poderiam ter sido descartadas do Femme Fatale ou até mesmo do Britney Jean. Não são tão memoráveis ou indispensáveis, mas têm seus méritos, principalmente nos arranjos, com elementos acústicos, de reggae e R&B que, por mais incomuns que sejam em um material da Britney Spears, se misturam aos elementos farofas eletrônicos e mixados e acabam funcionando.

Ainda assim, What You Need foi a escolha acertada para fechar a versão standard do álbum: “baby I got what you, baby I got what you want / that was fun”.

Calma, eu não esqueci de Slumber Party, a melhor música do álbum. Viciante. É uma faixa inovadora: bem diferente de tudo que a Britney já fez, mas ela se supera, sem perder sua identidade. Sua voz está incrível em um arranjo delicioso, a faixa é sexy, com alguns versos cantados em sussurros e um refrão apaixonado.

É perceptível que houve mais trabalho nesse álbum, há falhas, mas há mais riscos, acertos e autenticidade. Glory não chega a superar o Blackout (é possível?) ou o Circus, mas é definitivamente um presente para os fãs de Britney Spears, superando – e muito – o Britney Jean, que de pessoal não teve praticamente nada.

A versão deluxe do álbum inclui mais cinco faixas que compensam o investimento, com destaque para If I’m Dancing (que em alguns momentos lembra Amnesia, bonus track no Circus, e Bitch I’m Madonna, do Rebel Heart de Maddona) e Coupure Électrique, uma faixa curta cantada em francês, que poderia ter servido como interlude no álbum.

*Renan é advogado, fã de música pop, ama Rihanna e Beyoncé e nem por isso arruma confusão por causa de outras divas