Ultra Music Festival Brasil; Anitta; AlessoFoto: Divulgação

Ultra Music Festival Brasil 2017 agita o RJ, mas não seria mais interessante fazer o festival em São Paulo?

No último final de semana (entre os dias 12, 13 e 14 de outubro), aconteceu a segunda edição do festival de música eletrônica Ultra Music Festival Brasil. Realizado durante três dias no sambódromo do Rio de Janeiro, o evento reuniu amantes do estilo musical e curiosos que queriam conhecer toda a vibe do “selo” Ultra, que lá fora é um dos principais e mais adorados festivais do gênero.

A segunda edição em solo brasileiro chegou com uma novidade: a festa ganhou um dia a mais, comparado ao ano passado, e logo no início da sua divulgação já teve seu local definido. Para quem não se lembra, no ano passado o Ultra sofreu para conseguir todas as autorizações necessárias para realizar o evento no RJ e trocou de lugar duas vezes antes de se instalar (bem às pressas, com menos de uma semana de antecedência ao evento) no Sambódromo. Este ano, dividiu seus três palcos por toda a extensão do local – com direito a uma ampla praça de alimentação (com food trucks, caixas e banheiros) e distância suficiente entre os palcos para que o som de nenhum deles interferisse no do outro.

Apesar disso, pecou na “decoração”. Quem esteve presenta na primeira edição notou a evolução no cuidado estético com os palcos, mas mesmo assim estamos ainda muito longe das estruturas de encher os olhos que vemos nas edições realizadas lá fora. Por mais que a estrela do evento seja a música (e seus DJ’s), hoje o público quer – e merece – uma experiência completa.

Diversidade musical e dominação LGBT

Quem esteve presente no Ultra Music Festival Brasil pôde experimentar uma variada opção musical: passando pelo eletrônico mais comercial/de rádio, indo até o trance e com pitadas de progressive, house e derivados. A escalação de DJ’s agradou todas as tribos.

Aqueles que se jogaram no palco Resistance puderam curtir horas e horas de sets impecáveis em meio a leds brilhantes que transformaram aquele espaço no seu “próprio festival”. Já o palco UMF Radio entregou a cada dia uma sonoridade diferente – destaque para as apresentações de nomes como Bhaskar, Aly & Fila e Skazi.

Mas vamos falar do principal: o Mainstage!  David Guetta, Armin van Buuren, Marshmello, Alesso, Steve Angelo, W&W e Above & Beyond entregaram sets hipnotizantes. Seja combinando suas batidas com os jogos de luzes e projeções ou apostando em remixes deliciosos e prontos para incendiar qualquer pista, os DJ’s mostraram o porquê estão na lista de ‘melhores do mundo’. Destaque máximo para David Guetta, que no último dia mostrou toda sua experiência à frente das pick-ups com um repertório que nos deixou boquiabertos.

E por falar em set, foi nítida a influência que o público LGBT (os gays, principalmente) teve na seleção musical. A começar por Nicky Romero que tocou Sua Cara – hit do Major Lazer com Anitta e a drag queen Pabllo Vittar – um dos pontos altos do segundo dia. Na pista, apesar da presença de todo o tipo de público, majoritariamente se viam homens sem camisa que aproveitavam cada música para rebolar ou dar aquela paquerada no boy ao lado.

Foi no segundo dia também que o DJ Alesso foi a atração principal. Durante sua apresentação, convidou Anitta para apresentar pela primeira vez em um festival a parceria dos dois – Is That For Me, que havia sido lançada há poucas horas. Apesar da rápida aparição, o fato de termos Anitta em um festival de música eletrônica mostrou o que já vemos acontecer a um tempo no país: cada vez mais os eventos estão buscando a pluralidade e abraçar a diversidade.

E só para não falar que foi tudo perfeito, fica aqui nosso puxão de orelha para os brasileiros do JetLag e Make U Sweat que foram escalados para se apresentar no palco principal, mas não se esforçaram para sair do set previsível estilo festa de casamento. Assim não dá, né pessoal?

Pedras pelo caminho

Infelizmente, o Ultra Music Festival Brasil ainda encontrou dificuldades durante a realização da festa. Na sexta-feira, 13, teve que atrasar sua programação devido a um problema com os órgãos responsáveis pela administração do trânsito na cidade, que não fecharam a Av. Marquês de Sá (que cruza o Sambódromo) no horário em que deveria. Só ficou sabendo disso quem já estava no local desde cedo, pois a organização não avisou nada em suas redes sociais.

Mais tarde, foi anunciado que a programação daquele dia iria até às 4h da manhã (e não mais 2h, como estava previsto). Só que, após algum tempo que o DJ Malaa havia subido no palco principal para apresentar seu set e fechar o dia (isso por volta das 2h30 – 3h), o som foi cortado e o público foi avisado que a polícia havia mandado encerrar o evento. Alguns minutos depois, quando muitos já estavam se dirigindo à saída, avisaram pelo sistema de som que a organização havia conseguido “negociar mais 30 minutos de show”. Fica aqui o nosso questionamento de qual a razão deste caos todo: boicote da Prefeitura carioca? Desorganização da produção? É preciso rever!

O futuro do Ultra no país

É claro que a realização do Ultra Music Festival Brasil no ano que vem com certeza será repensada. Ao que tudo indica, o RJ não tem muito interesse em ter o festival na cidade. Problemas estruturais, de organização e segurança colocam uma grande interrogação na continuidade do projeto.

Talvez seja o momento de levar o Ultra para outra cidade – sim, estamos falando de São Paulo – e ver como o festival se sai por aqui. Mas isso só o futuro dirá. Enquanto isso, ficamos aqui com as muitas boas memórias que a edição deste ano deixou e nosso carinho pelo Ultra, que terá sempre nosso apoio.

Esperamos nos ver ano que vem! <3