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Sete Anos, de Fernanda Torres, não é fácil, mas é um livrão daqueles

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No prefácio de Sete Anos, Mario Prata diz que se o mundo fosse justo, Fernanda Torres escreveria mal. Não que eu seja a favor de injustiças, mas acho justíssimo ela escrever tão bem e se despontar tanto para além da curva. Porque isso só faz minha admiração pela artista multimídia que ela é aumentar exponencialmente.

Ao contrário do incrível FIM, seu novo livro é uma coletânea de crônicas escritas para a revista Piauí. Abordando temas como cinema, teatro, política, cotidiano e família, Fernanda Torres desliza pelas letras com a mesma maestria que desliza pelos palcos.

Fiquei impressionado com sua visão política, principalmente no cenário pós-eleições de 2014. Seus pontos de vistas da eleições de 2010 continuam atualíssimos. Nas páginas de Sete Anos, vemos os bastidores de seus trabalhos no cinema e no teatro, seu relacionamento com os amigos e suas experiências de vida. Mas o que mais mexeu comigo (leia-se: quase me fez chorar) foram os textos sobre seu pai, Fernando Torres. A forma como ela aborta a morte dele é tocante e simples, sem deixar de ser bela e profunda.

Não é um livro fácil. Fernanda tem um modus operandi literário quase lírico. É muito fácil se perder nas suas referências. Mas quem resolver colocar as mãos em Sete Anos, vai ter um livrão diante de si. Rico. Humano. Sincero.

Fernanda Montenegro deve estar orgulhosona.