Seria A Garota no Trem o livro do ano?

Seria A Garota No Trem o livro do ano?

Foto: Reprodução

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Costumo não gostar de comparações entre livros. O “novo” Harry Potter isso. O “novo” Jogos Vorazes aquilo. A Garota No Trem já logo na capa leva uma comparação com o incrível Garota Exemplar e, com isso, comecei a leitura do livro de estreia de Paula Hawkins com um pé atrás.

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A história é contada por três mulheres: Rachel, Anna e Megan. A primeira é uma pessoa cheia de problemas. Alcoólatra, recém-separada do marido, stalker e desempregada. Mesmo sem emprego, todos os dias, Rachel continua pegando o trem para o trabalho para fingir para a amiga que mora com ela que está tudo bem. É aí que ela começa a olhar pela janela e a imaginar como é perfeita a vida dos moradores de uma das casas ao lado da linha do seu trem. Essa, especificamente, fica ao lado da casa que costumava morar com o ex-marido, agora é casado com Anna. E, para terminar de apresentá-las, Megan é a moça que é observada por Rachel no trem.

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A história das três se entrelaça com o desaparecimento de Megan e o início das investigações do suposto crime que possa ter acontecido. O livro é um thriller psicológico que deixa o leitor com a pulga atrás da orelha sobre o motivo daquilo tudo estar acontecendo. Tudo é explicado no final.

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Aliás, o final é o melhor do livro. Apesar de não ser o desfecho mais imprevisível do mundo, ele surpreende pela forma que o raptor (ou raptora, quem sabe!) de Megan consegue sair ileso até ser descoberto. Isso é o mais legal da trama, além da forma como Rachel é usada nessa epopeia toda.

A comparação com Garota Exemplar já na capa me deixou com as expectativas lá embaixo. Talvez por isso eu tenha gostado do livro, só que ele não é perfeito. A história, às vezes, é muito arrastada e com alguns acontecimentos sem sentido. Há claramente uma intenção da autora em confundir o leitor, mas infelizmente Hawkins ainda não é tão habilidosa quanto Gillian Flynn nessa técnica.

Muita gente talvez não goste das personagens. Mas, sinceramente, tudo isso é intencional. Rachel tem que ser daquele jeito, da mesma forma que as outras mulheres também. Muito se falou sobre A Garota No Trem. Alguns chegaram a dizer que era o livro do ano. Penso que não. É um excelente livro e só.