Problema Meu, um disco delicioso de Clarice Falcão, comentado faixa a faixa

Problema Meu, um disco delicioso de Clarice Falcão, comentado faixa a faixa

Foto: Divulgação

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*colaboração de Vinícius Costa

Crescer envolve fazer escolhas e (muitas vezes) abrir mão de certas coisas. Clarice Falcão é a prova disso: anunciou que deixaria o grupo de comédia Porta dos Fundos para se dedicar exclusivamente a sua paixão maior, a música. E fica evidente no seu segundo álbum, Problema Meu – lançado oficialmente na sexta-feira passada –, que aquela garotinha de olhos hipnotizantes de alguns – poucos – anos atrás deu espaço para uma mulher decidida, dona de si e que continua apaixonante.

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Se no seu primeiro trabalho, Monomania, Clarice cantava apenas sobre um tema (o amor) e usava e abusava de elementos da música indie/folk, agora em seu novo trabalho ela dá espaço para diversos estilos musicais e instrumentos variados. Mudança mais do que bem vinda.

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É evidente o amadurecimento da moça. As letras de suas músicas agora falam sobre múltiplos assuntos. É claro que o amor está presente também, mas deixa de ser a figura principal do disco. Em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo, a cantora explicou seu processo para compor suas novas canções. “Não queria fazer as coisas com pressa, compondo entre shows. Queria voltar a encarar a música como algo lúdico. E assim eu fui: escrevendo quando tinha alguma inspiração”, contou.

Com produção do músico Kassin, que também participou da banda durante o processo de gravação em estúdio, Problema Meu traz 14 faixas e, por enquanto, está disponível somente no Spotify.

Nós já ouvimos o CD e contamos agora o que achamos de cada faixa! #VemGente:

Irônico
O álbum começa com uma batida deliciosa, daquelas de se jogar na pista, que logo dá lugar a uma típica melodia de marchinha de Carnaval. Irônico fala de forma mordaz sobre gostar de alguém. “Eu gosto de você como alguém que gosta de uma celebridade B”, canta Clarice. Esse foi o primeiro single do álbum e teve seu clipe gravado por celulares de amigos e fãs da Clarice durante uma tarde de Carnaval de rua.

Escolhi Você
Mantendo o tom de ironia/brincadeira, Clarice diz para o seu amado que ele foi o escolhido já que “não está tão fácil assim”. Diante de “50 opções de amor” das quais 49 desistiram, ela escolheu você. Tem como não gostar de uma música assim?

A Volta do Mecenas
Com uma pegada mais rock, essa faixa contesta o quão bom foi a evolução do homem através do tempo e a importância que as pessoas dão hoje para a arte/música. “Aonde foi aquele moço bom da Renascença?”, ela pergunta no primeiro verso da música. Clarice canta a esperança de (re)surgir um Mecenas. A faixa traz uma batida contagiante, no maior estilo pop/rock.

Foto: Reprodução

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Deve Ter Sido Eu
Terminou seu namoro? Supere o seu ex. Mas aturar a nova escolhida dele? Isso já é outra história… Na divertida Deve Ter Sido Eu, Clarice conta seus planos para infernizar a vida da nova namorada de seu ex-amor. Com planos como colocar amendoim no prato da menina que é alérgica a fazer ela tropeçar na Joana Angélica  – e todos ao redor rirem -, a faixa traz aquele ritmo clássico e viciante de violão em destaque acompanhado de estalos de dedo ao fundo. Prepare-se, mesmo que involuntariamente, seus pés vão não vão aguentar ficar parados.

Marta
Uma das melhores faixas do álbum mostra a cantora tendo uma conversa imaginária com Marta, mulher que ela nem conhece, mas que tem o número de telefone bem parecido com o seu, pois ela está recebendo todas as ligações dela. Desde a gerente do banco até a amiga vingativa que descobriu algo que Marta fez, Clarice acaba por criar um vínculo afetivo com a desconhecida mulher. A batida extremamente ritmada cativa e a letra inteligente conquistam de primeira.

Se Esse Bar Fechar
Pausa nos ritmos mais dançantes e agitados para trazer uma Clarice mais melancólica. Se Esse Bar Fechar já havia circulado pela internet tempos atrás, mas ganhou novos arranjos (com direito a violino), deixando a música ainda mais triste. Aqui, acompanhamos o relato da menina abandonada no bar que clama por mais um tempo para esperar o amado.

Eu Sou Problema Meu
Nessa faixa temos um grito de independência de cantora, que deixa claro que mulher não é mercadoria e, logo, não pertence a ninguém. “Eu sou problema meu… e de mais ninguém!”. Tá certíssima, né?

Foto: Reprodução

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I’ll Fly With You
Essa é a maior surpresa do álbum. A versão de Survivor, do grupo Destiny’s Child, ficou de fora do álbum e deu lugar para esse cover MARAVILHOSO. O hit das pistas dos anos 90 ganhou novos arranjos e ficou mais vagaroso. Com certeza Gigi D’Agostino ficou satisfeito.

Como É Que Eu Vou Dizer Que Acabou?
Uma das nossas faixas favoritas! Aqui, temos Clarice tentando encontrar palavras pra dizer que acabou. Mas como dizer isso? Quem nunca passou por essa situação, não é mesmo? De forma inteligente, acompanhamos a bagunça que se forma na cabeça dela, com direito a argumentos como: um elefante, a política do país e “um negócio que eu pensei essa semana”. É de deixar no repeat por horas!

Duet
Mais uma pausa na agitação para a faixa Duet. Cantada em inglês, era para ser um dueto, mas o rapaz nunca apareceu. Não é genial, gente?

Banho de Piscina
Um viva à música brega! Com batidas e arranjos que poderiam ter saído de um CD da Gaby Amarantos, a mulher traída canta sobre como não pode ajudar o (ex) amado que está em uma piscina de óleo fervendo, afinal, ela não sabe nadar. Das nossas! Ouve aí:

Vinheta Mix
A faixa funciona quase como uma espécie de ‘interlude’ já que tem apenas um minuto de duração. A cantora se desespera junto ao celular esperando uma ligação. Muito provavelmente o rapaz não ligou porque sofreu uma série de fatídicos acidentes. Triste.

Vagabunda
Ponto para as meninas mais uma vez. Clarice chama a amante de seu marido para um chopp, afinal, só elas podem se entender. Uma crítica (levemente velada) à sociedade machista em que vivemos. Palmas!

Clarice
E para encerrar o álbum, Clarice resolve debochar dela mesma. Nesta canção que eva seu nome, ela canta como suas letras não são chiques, suas composições são de quinta e como ela não sabe (e nem fala) de Quimera. Quem tem coragem de se autocriticar assim hoje em dia, senhoras e senhores? Fofa demais.

*Vinícius Costa é jornalista, social mídia, geek e fã de musicais