Foto: Reprodução

Por todos nós e por Orlando também, claro

Orlando é a ponta de um iceberg em meio ao mar de homofobia que assola o mundo. O massacre acontecido na boate Pulse na madrugada de domingo, 12, choca pela quantidade de mortos, pela brutalidade do ato e traz à tona muita discussão. Mas, infelizmente, não é um assunto novo. A homofobia mata todos os dias. E, se somado, o número de gays, lésbicas, transexuais e travestis assassinados diariamente mundo afora ultrapassa facilmente os 50 que perderam a vida nesta tragédia.

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Não, não estamos aqui diminuindo a morte dos 50 homossexuais. Jamais. Estamos aqui refletindo sobre o quão perigoso é o mundo para quem tem que conviver diariamente com o medo de ser agredido, espancado, humilhado e morto por querer ser simplesmente quem é. Por querer, assim como qualquer pessoa, se divertir, dançar, beijar, amar.

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Assim como aconteceu em Orlando, nos Estados Unidos, poderia ter acontecido em qualquer boate LGBT em qualquer lugar do mundo. O discurso de ódio aos homossexuais ecoa em todo lugar. Há religiões, ou melhor dizendo, líderes religiosos que o incitam. Há parlamentares que, em nome de um Deus qualquer, querem revogar direitos básicos adquiridos pela comunidade LGBT. E o pior, há lugares, como nos EUA, em que qualquer cidadão pode andar com uma arma a tiracolo. O ódio está aí, latente. Basta ler os comentário em diversos portais de notícias.

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Aconteceu na Pulse, mas poderia ter acontecido no show da Ivete Sangalo, no Bloco da Preta, na Loca, na Blue Space, na The Week e em diversas baladas que eu e meus amigos frequentamos. Inclusive, muitos amigos que frequentam tais locais e nem homossexuais são. Então, poderia ter sido eu ou meus amigos os atingidos pelos tiros de Orlando. Poderia ter sido você, seu filho, seu irmão ou até mesmo um amigo seu. Orlando não é protagonista sozinho nessa guerra contra a homofobia e o medo diário de morrer ou, na melhor das hipóteses, ser agredido.

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Aqueles que acreditam em Deus, deve sim rezar por Orlando. Mas é preciso também orar por todos nós. Inclusive, orar para um Deus que não pregue o ódio, que seja, tal como dizem, amor. Seja lá no que você acredita, peça por paz.

Mas, infelizmente, de nada adiantam as orações se as leis, medidas terrenas, não se fizerem valer. Enquanto o mundo não criminalizar a homofobia, ainda noticiaremos muitas tragédias como a da Pulse. Isso, sem falar nas tantas mortes diárias de homossexuais que, enquadradas em outros tipos de crimes, passam por nós ignoradas.

Mas nós vamos resistir e vamos lutar. Por todos nós e por Orlando também, claro.