Politicamente incorreto, Vizinhos é repleto de maus exemplos e divertidíssimo

*colaboração de Emílio Faustino

Mais do que um filme onde Zac Efron fica 90% do tempo sem camisa mostrando a boa forma, Vizinhos – que estreou no Brasil neste final de semana – é um besteirol americano repleto de referências e boas sacadas. É certo que nem tudo são flores, algumas piadas são um tanto quanto ácidas e inconsequentes, mas o longa cumpre bem a missão: garante boas risadas ao público do começo ao fim.

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Dirigido por Nicholas Stoller, o filme já começa mostrando a que veio desde a primeira cena, onde o casal Mac (Seth Rogen) e Kelly Radner (Rose Byrne) tentam ignorar a presença da filha recém-nascida no mesmo cômodo onde estão para concluírem o sexo. A cena que, racionalmente seria de um grande mau gosto, acaba funcionando muito bem, isso graças à fofura da criança que consegue cortar todo clima do casal.

A trama se divide basicamente em dois núcleos: o casal com a filha e os vizinhos recém-chegados – uma república com mais de 50 estudantes festeiros, lideradas por Teddy Sanders, o personagem de Efron. Eis o conflito: de um lado, uma republica barulhenta que só quer saber de curtir a vida e, do outro, um casal que apenas quer zelar pela qualidade do sono do bebê.

De cara, a primeira coisa que chama atenção é a excelente química entre Seth Rogen e Rose Byrne. Eles convencem bem no papel dos pais de primeira viagem e praticamente carregam o filme nas costas no quesito “fazer rir”.

Mac e Kelly não são o típico casal estereotipado de vizinhos que o público está acostumado a ver reclamando dos outros vizinhos. Embora tenham uma filha, são de certa forma jovens e ainda estão em processo de assimilar a nova realidade da vida de adulto.

É dessa tentativa de não ser careta que surgem boas cenas, como por exemplo, quando o casal tenta de forma amistosa se socializar com o grupo de estudantes. Para se ter uma ideia, ao invés de uma clássica torta de maça, eles oferecem cigarros de maconha como boas vindas, tudo para tentar mostrar que são pessoas descoladas. A primeira vista tudo parece dar certo, mas é claro que as tentativas de fazer a política de boa vizinhança com a república se mostram inúteis. Dessa forma, está estabelecida a guerra.

Já na república – que conta com o ator Davi Franco dando vida ao jovem Pete -, há algo mais estereotipado por Hollywood: muita festa, música, sexo e drogas (esta, quase onipresente na casa).

O roteiro de Andrew J. Cohen e Brendan O´Brien é um capitulo a parte graças a verdade com que desenvolve personagens facilmente reconhecíveis. São reais, carismáticos, onde até mesmo o que poderia ser o vilão – no caso, Zac Efron -, consegue nos fazer rir com a sua falta de senso e visão de futuro. O que de certa forma é bacana, porque o filme não é aquele oba-oba que no final tudo termina bem.

Em Vizinhos, existem piadas pesadas mas também existem as consequências. Não exatamente proporcionais as piadas, mas já servem para que seu uso faça realmente algum sentido. O filme pelo menos reserva uma série de referências e piadas atualizadas, o que ajuda a atrair os jovens para o público alvo. As referências vão desde Batman a Games of Thrones, mas entre todas as cenas, a mais hilária fica por conta da festa à fantasia temática de Robert de Niro que, para quem viu os filmes referenciados, gera momentos de puro deleite.

Com um excelente ritmo e uma trilha sonora efervescente, o longa pode ser considerado a melhor comédia do ano até o momento. Não é o tipo de filme pra toda família, mas se você tem mais de 16 anos (censura do filme), deve com certeza ir ao cinema assistir a Vizinhos.