Diego Hypolito sai do armárioFoto: Reprodução

“Nunca mais vou deixar de viver o que eu sou”, diz Diego Hypolito ao sair do armário

Após anos vivendo em um mundo onde a homofobia e o machismo são absolutamente predominantes, no caso o do esporte, Diego Hypolito decidiu tomar coragem e falar abertamente sobre sua sexualidade. O ginasta saiu do armário em um texto emocionado que escreveu para o site UOL.

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O medalhista de prata olímpica contou com detalhes sobre como se descobriu gay e o quanto isso afetou sua vida, uma vez que ele decidiu priorizar a carreira, e por conta disso precisou esconder a orientação sexual, e viver infeliz. “Eu tinha o sonho de conseguir uma medalha olímpica e faria de tudo para chegar lá, até esconder quem eu era. Eu tinha certeza que se um dia eu saísse do armário publicamente, perderia patrocínios e minha carreira seria prejudicada. A minha felicidade era a ginástica, então se eu não pudesse ser completo na minha vida pessoal, nem tinha tanto problema. Eu ia continuar a esconder a minha sexualidade para manter vivas as minhas aspirações no esporte”, revela o moço que tem, além da medalha de prata olímpica, mais dois títulos e outras três medalhas em mundiais e mais 69 delas em Copas do Mundo.

E Diego Hypolito vai além. Ser gay, para ele, seria “mais um problema” para a família, de origem pobre. “Quando passei a entender melhor a minha sexualidade, meu maior problema sempre foi como iria contar para a minha família. As pessoas não sabem, mas a gente tinha uma origem humilde, do interior e religiosa. Eles nunca entenderiam. A gente passava por tanta dificuldade em casa… nem sempre tinha o que comer, chegamos a ficar meses sem energia elétrica. Como é que eu ia levar mais um problema para eles?”, recorda o irmão de Daniele Hypolito.

Relacionamento abusivo

Em suas revelações, o ginasta expõe ainda situações que servem de exemplo para outros integrantes da comunidade LGBT+, como o relacionamento abusivo que teve com outro rapaz e seu problema de autoestima. “Até que eu comecei a namorar um cara que eu achava ser muito mais bonito que eu. Eu tentei de inúmeras maneiras compensar esse desequilíbrio, até aplique no cabelo eu usava para esconder a calvície precoce. Por vários motivos, esse foi um relacionamento abusivo. Até que ele ameaçou terminar o namoro se eu não revelasse que era gay para a minha família”, escreve.

Diego Hypolito sai do armário

Foto: Reprodução

“Foram anos e muita terapia, além da proximidade com outras pessoas gays, para que eu chegasse nesse ponto de ter a coragem de falar abertamente sobre a minha sexualidade. Acho que meu exemplo pode fazer com que muitos garotos que hoje estão sofrendo deixem de sofrer. Muitos não se aceitam como são ou não são aceitos pela família e têm pensamentos suicidas por não conseguirem corresponder às expectativas dos outros. Quero que as pessoas saibam que eu sou gay e que eu não tenho vergonha disso. E não é porque eu sou que outras pessoas vão querer ser. Isso não tem nada a ver. Já vivi muitos anos pensando no julgamento que os outros fariam sobre mim”, continua.

Liberdade

“Agora posso até pensar em ir à Parada Gay. Quero frequentar com naturalidade os ambientes que antes frequentava com medo. Não vou levantar nenhuma bandeira, não vou ostentar nada, mas se alguém me perguntar o que eu sou, não preciso mais mentir. Não tenho mais vergonha”, liberta-se Diego Hypolito.

“Não escolhi ser gay, porque ser gay não é uma escolha. É simplesmente o que eu sou, e isso não vai mudar os valores que eu tenho e que construí junto da minha família. A gente está muito carente de ídolos de verdade. Por que eu não posso ser exemplo sendo gay? Uma coisa não tem nada a ver com a outra”, explica o rapaz.

“Esse era o último fantasma que eu precisava espantar de dentro de mim. No ano passado, revelei os abusos que sofri durante trotes que o pessoal da ginástica fazia com quem era mais novo […] Sei que pode ter gente que vai deixar de gostar de mim depois de conhecer a minha história, sei que no culto posso viver situações de preconceito, sei que vir a público e falar tudo isso pode irritar algumas pessoas. Ninguém é obrigado a entender nada, mas é obrigado a respeitar. Nunca mais vou deixar de viver o que eu sou. Eu sou gay”, termina o relato.