Morre ao 105 anos Dona Canô, mãe de Caetano Veloso e Maria Bethânia

Morreu na manhã desta terça-feira, 25, em Santo Amaro da Purificação, Dona Canô.

Ela estava em casa, se recuperando de uma isquemia cerebral que a deixou internada por seis dias na semana passada, até a sexta-feira, 21, quando teve alta.

Rodrigo Veloso, um dos filhos de Dona Canô, foi quem confirmou a morte da mãe na manhã deste dia de Natal. Segundo ela, a matriarca dos Veloso passou a ceia com os filhos, entre eles Caetano e Maria Bethânia.

"Fica a lição de amor, de guerreira, uma mãe exemplar. Fica a saudade e a certeza que ela está em um lugar bom. Isso também nos dá um conforto. Bacana ter sido em um dia de Natal, isso é lindo", disse Rodigo ao G1.

Vida

Dona Canô nasceu Claudionor Viana Teles em 16 de setembro de 1907 e virou Veloso depois de se casar com "Seu Zeca", de quem ficou viuva em 1983, quando ele tinha 82 anos. Construiu sua história no Recôncavo Baiano, em Santo Amaro da Purificação. Era mãe de oito filhos, dos quais Clara, Roberto, Caetano, Bethânia, Rodrigo e Mabel são biológicos e Irene e Nicinha (já falecida), adotivas.

De personalidade forte e sempre muito receptiva, Dona Canô era um marco da cidade onde vivia e também do Brasil. Suas festas de aniversário se transformaram em eventos praticamente oficiais.

Era respeitada por gente importante e, em seu clã, sua voz era lei. Durante o governo Lula, uma polêmica envolveu Caetano que criticou o então presidente. Dona Canô chamou o filho e lhe mandou desculpar-se com Lula e assim foi feito.

Em entrevistas, sempre dizia não entender o motivo de tanto interesse da imprensa sobre sua vida sossegada em Santo Amaro da Purificação. Com sua fala sempre mansa, Dona Canô contava suas histórias, a dos filhos famosos e atendia a todos com muita boa vontade. A casa da família, um sobrado de paredes brancas no número 179 do centro da cidade, virou ponto turístico e sempre esteve aberta a quem quisesse entrar e conhecer.

Lucida até o último momento, era ela quem cuidava das contas da casa, estipulava o cardápio e tudo mais. Sua marca era a vaidade e a religiosidade. Foi graças a ela que a festa de Nossa Senhora da Purificação transformou-se em um evento famoso na Bahia.

O enterro da matriarca deve acontecer nesta quarta-feira, 26, às 10h, no Cemitério de Santo Amaro.