Lia ClarkFoto: Divulgação

FQ Entrevista | “Estou vivendo esse momento”, diz Lia Clark após um ano de ‘Clark Boom’

Ela não gosta de frescurinha: gosta de boy que pega de jeito com a mão na sua calcinha. Ela quica, senta e rebola… Até em cima da mesa! E na hora do rala e rola, você vai ter uma surpresa. Seu nome? Lia Clark.

Há exato um ano, a drag queen lançava seu primeiro EP – Clark Boom – e colocava todo mundo para rebolar a raba ao som de um funk debochado, de duplo sentido e muito maravilhoso. E agora? Após bater recordes no YouTube, fazer uma parceria com Pabllo Vittar, bombar nos bloquinhos de Carnaval e ter um vídeo – Boquetáxi – censurado em seu canal na plataforma que a destacou, o que o futuro reserva para Lia? E o que Lia prepara para nós?

Fomos bater um papo delicioso sobre tudo isso com a drag superstar e você confere – na íntegra, completamente sem censura! – aqui:

Fica Quietinho – Vamos começar do começo! Quando Lia Clark surgiu na sua vida já era intencional partir para o mundo da música e ser uma drag cantora ou foi algo que foi acontecendo com o tempo?
Lia Clark – Nunca imaginei entrar no ramo da música, apesar de ter muita vontade desde criança. Sempre fui fã do meio artístico, acompanho varias carreiras há muitos anos, mas, quando me montei, esse nunca foi o foco, acabou acontecendo por acaso.

FQ – O clipe de Chifrudo ultrapassou os 7 milhões de visualizações no YouTube recentemente. Esse sucesso era esperado?
Lia Clark – Chifrudo sempre foi a música preferida de todo o mundo do Clark Boom, mas nunca imaginei essa febre toda. Fico muito feliz por tudo que aconteceu, agradeço a Pepita por ter aceito o convite para participar da faixa.

FQ – O que mudou na sua vida após o lançamento do seu EP e ter o posto de “segunda drag brasileira com mais visualizações em um clipe” e também ser a “quarta no mundo” na mesma categoria? Você sente uma pressão maior na hora de decidir seus próximos passos?
Lia Clark – Mudou muito! Hoje em dia eu só vivo da Lia e é muito gratificante ver a reação do publico. E apesar de às vezes sentir uma pressão para me superar e fazer tudo cada vez melhor, eu estou vivendo o momento e aguardando ansiosa para os próximos passos.

FQ – E falando em próximos passos… Podemos esperar por um CD da Lia Clark em breve? O que você já pode nos adiantar sobre seus projetos futuros?
Lia Clark – Quero muito lançar um lançar um álbum, inclusive nós já começamos a pré-produção dele. Estou super animada e não vejo a hora de ver tudo ficando pronto! Mas ainda vai levar um tempo, rs. Quero trabalhar com outros artistas, produtores e outros ritmos. Não fico falando muito porque aí meus fãs ficam me cobrando diariamente (risos).

FQ – Como é o seu processo criativo na hora de compor? De onde vem a inspiração para as letras?
Lia Clark – É tudo muito particular… Cada música tem um processo diferente. Tem umas que eu pego um tema e transformo em música, outras já nascem na minha cabeça. E esse é o legal, porque não é uma rotina, são ideias criativas que vão surgindo!

FQ – Quais as mudanças que você enxerga na cena drag após o boom que foi ter nomes como o seu e da Pabllo Vittar nas paradas, nos blocos de Carnaval, nas listas de mais tocadas dos serviços de streaming, nos veículos de imprensa e afins?
Lia Clark – Esse lance todo musical mudou muito a visão do drag no Brasil porque as pessoas se interessaram mais pela arte e perceberam que há um leque de talentos imenso dentro desse movimento. Drag pode ser cantora, apresentadora, modelo, o que quiser!

FQ – Ainda sobre esse assunto. RuPaul’s Drag Race abriu muitos caminhos para a cena drag após seu crescente sucesso lá nos EUA. Você sentiu essa mudança aqui no Brasil? O público brasileiro ainda tem a “síndrome do vira lata” de achar que tudo que vem de fora é melhor ou passaram a aceitar e prestigiar as drags made in Brasil também?
Lia Clark – Cara, é inevitável! O programa teve uma enorme influencia no movimento drag do Brasil. A procura e interesse pela arte aumentou demais com o surgimento do programa. E aqui temos drags incríveis que não ficam devendo nada para as participantes do reality, né?

FQ – Você vem do funk, que sabemos que ainda sofre muito preconceito e acaba por ser considerado um gênero marginalizado. Pegando como exemplo a Anitta, que esteve envolvida recentemente nas polêmicas com o Rock in Rio, que apesar de ter vindo do funk (e não o abandonar) também investe em outros estilos: você tem essa vontade? Qual seu gênero musical favorito (depois da quebração, é claro, rs).

Lia Clark – O funk fez muita parte da minha infância, hahaahaha! Eu m e lembro de escutar o Furacão 2000 sem parar! Fico muito feliz de fazer parte desse movimento nos dias atuais e levantando a bandeira LGBTQ+ nisso. Meu EP mistura o funk com o pop que é outro ritmo que eu amo muito – o preferido na verdade(risos) -, e agora eu quero abrir o leque e trabalhar com outros ritmos também.

FQ – O fato de você ser drag queen e cantar funk atrapalha a visibilidade do seu trabalho devido ao preconceito? Já sentiu isso de alguma forma?
Lia Clark – Total, as pessoas tem muito preconceito porque, além de eu ser uma drag queen e um  menino gay, eu canto um funk debochado e com duplo sentido. Eu me lembro de que quando eu estava pra lançar o Trava Trava, senti muito medo da repressão, tanto que acabei me surpreendendo com a positividade.

FQ – Se pudesse escolher um artista internacional para fazer um feat. quem você escolheria? E aqui do Brasil?
Lia Clark – Lá fora, Nicki Minaj. No Brasil, gostaria de Ludmilla e Anitta.

FQ – Para finalizar, qual sua mensagem para todos os LGBT’s do Brasil em um momento tão difícil como esse?
Lia Clark – Quero dizer para todos os LGBTs terem força! Eu sei que a vida é muito difícil e que sofremos muito preconceito, mas temos que ter força para continuar lutando cada vez mais pelo nosso espaço nessa luta diária. Nós somos normais e merecemos respeito! <3