Alice CaymmiFoto: Daryan Dornelles/Divulgação

FQ Entrevista | “Desejo fazer parcerias com pessoas que nem pensei ainda”, diverte-se Alice Caymmi

Com seu terceiro álbum aclamado e com um sobrenome de peso na história da música brasileira, e o qual preferiu deixar de lado ao batizar seu novo trabalho – ficou apenas Alice –, a camaleoa Alice Caymmi já se firmou com um dos nomes mais interessantes da “nova cena” musical do Brasil.

Nos tempos em que diversidade e mistura de estilos dão o tom das paradas musicais, a cantora e compositora dá graças a deus que finalmente chegamos a esse estágio. “A minha cabeça já vinha pensando dessa forma, a minha geração como um todo. A gente misturou muita coisa – Pokémon, Xuxa, Britney, Back Street Boys, Harry Potter – então era óbvio que a gente ia vir com uma arte muito mais misturada e muito mais aberta ao novo. Graças a deus o Brasil tá assim e vamos nessa”, contou durante nosso bate-papo.

Alice Caymmi estreou sua nova turnê, Eu Te Avisei – Tour, na última terça-feira,6, no Rio de Janeiro. Nem 24 horas depois, já estava ao telefone conosco dividindo a euforia de começar este novo ciclo. “Foi tudo muito intenso, mas eu encontrei meninos muito talentosos com os quais formei minha banda e descobrimos caminhos muito interessantes a seguir”, comemorou.

Agora, começa a excursionar o país para apresentar o repertório de seu novo álbum, Alice, que tem produção de Bárbara Ohana. São Paulo recebe a artista neste final de semana – dias 10 e 11 de março, no SESC Consolação –, já com ingressos esgotados. Depois, a cantora segue para Porto Alegre no dia 17 de março.

E no meio desse ritmo intenso e muitas risadas gostosas, Alice Caymmi conversou com o Fica Quietinho sobre sua nova fase, seu novo álbum, parcerias – ela citou Marília Mendonça e Wesley Safadão, uhul! – e seu amor por festivais. Confira:

Fica Quietinho – Como foi a rotina de ensaios para a nova turnê e o processo para escolher o setlist dos shows?
Alice Caymmi – A preparação foi ótima! Tive artistas muito dedicados comigo e surpreendentemente não tive que me dividir entre o Rio de Janeiro e São Paulo – consegui formar uma banda por aqui mesmo [RJ], coisa que é bastante difícil porque a debandada do Rio é geral. Mas encontrei meninos muito talentosos e caminhos muito interessantes para seguir. A montagem foi bastante intensa, assim como os ensaios. A escolha do repertório é sempre aquela coisa inventiva da minha cabeça maluca que, no final, acaba fazendo um sentido que não sei de onde tirei (risos). Eu não sei explicar, junto lá com cré e quando vejo faz sentido.

FQ – Alice é seu terceiro álbum e em cada um de seus trabalhos você investiu em, digamos, uma proposta diferente, mas sempre imprimindo a sua marca. Isso é uma vontade sua de estar sempre mudando e experimentando algo novo?
Alice – Existe uma necessidade minha de mudar sempre e apostar em coisas novas, em gente diferente! Eu tenho muito essa coisa de material humano, de ter uma equipe e ir testando para ver no que dá. Mas, ao mesmo tempo, existe uma essência, uma personalidade minha que é muito forte e eu tenho percebido isso cada vez mais. Agora no terceiro álbum fica muito evidente, sabe? Existe uma verdade minha que permeia todas as coisas e que é muito maior que qualquer escolha que eu faça.

Crédito: Daryan Dornelles

FQ – Como é sua relação com seus fãs tendo a Internet e as redes sociais tão presentes nas nossas vidas? Lembro que logo antes de você lançar o álbum comentou em uma entrevista ao Estadão que assim que sua parceria com a Pabllo Vittar foi anunciada seus fãs já reagiram…
Alice – Em um primeiro momento, que foi no Rainha dos Raios, onde começou a rolar essa coisa das redes sociais mais forte, fiquei um pouco assustada e não entendia muito bem. Eu tinha uma interação, mas era muito blindada, precavida. Hoje é muito na base do ‘é nóis’, ‘tamo junto’ sabe? Eu preciso de vocês tanto quanto vocês precisam de mim. Vocês transformam minha vida tanto quanto eu transformei a de vocês. Tenho uma sorte danada, pois tenho fãs muito inteligentes e bem humorados. Mas eu sou também uma pessoa muito do físico, do toque, do abraço do beijo. Eles vêm me ver e ficam espantadíssimos porque eu abraço mesmo, beijo, eu tô junto!

FQ – Voltando a falar diretamente sobre o álbum: você lançou no seu canal do YouTube os music portraits das faixas. De onde veio a decisão de produzir esse material?
Alice – Eu já queria fazer alguma coisa desse tipo há muito tempo e a Barbara Ohana [produtora do disco] topou e ainda por cima se propôs a dirigir todos eles. Fizemos na guerrilha, na loucura. Eu olho na cara da pessoa com que quero trabalhar e falo ‘cara, bora não dormir juntos?’ (risos). Eu sou meio workaholic.

FQ – E sobre o clipe de Eu Te avise, com a Pabllo Vittar, o que você pode contar? Quando ele sai, por exemplo…
Alice – Menino, eu recebi o primeiro corte esses dias e fiquei passada. Tá muito lindo! Mas não sei se posso anunciar ainda (risos). Mas será em breve, em março ainda. Aguardem que logo, logo, chega.

FQ – E com quem mais você tem vontade de trabalhar? Vimos que você esteve junto com o Marcelo D2 esses dias na gravação do novo álbum dele.
Alice – Eu adoro o D2! Fiquei muito surpresa quando veio o convite para a parceria e vi muito dele em mim. Temos histórias e vidas completamente diferentes e eu me vi naquele cara. Foi maravilhoso! E tem tanta gente foda, cara. Eu tenho desejo de fazer parcerias com pessoas que eu nem pensei ainda (risos). Tem tanto artista pelo Brasil. A Marília Mendonça, por exemplo, que é uma cantora e compositora incrível, de uma verdade absoluta. Quando eu escuto Wesley Safadão, piro nas músicas dele. Quem sabe um dia, quando a agenda dele permitir, a gente não toque junte ou faça algo. Tem a Ivete Sangalo, amor da minha vida, com quem já tive a oportunidade de cantar em cima do trio. É tanta gente, eu olho para os lados e vejo tantos artistas que fico até perdida.

FQ – E como você enxerga o cenário da música nacional hoje? Com drags liderando as listas de mais tocadas, artistas internacionais fazendo inúmeras parcerias com os artistas aqui do Brasil…
Alice – Eu vejo isso como “graças a deus!”. A minha cabeça já vinha pensando dessa forma, a minha geração como um todo. A gente misturou muita coisa – Pokémon, Xuxa, Britney, BSB, Harry Potter – então era óbvio que a gente ia vir com uma arte muito mais misturada e muito mais aberta ao novo. Graças a deus o Brasil tá assim e vamos nessa!

FQ – E você acha que ficou mais fácil para nós “exportamos” nossa música? É algo que você tem vontade de fazer lá fora?
Alice – Menino, eu vou ser muito sincera com você: meu passaporte expirou há alguns meses e eu tô com preguiça de ir lá renovar então eu nem sei o que é esse “lá fora” já faz um bom tempo. Sou uma artista que todo mundo que conhece esse “lá fora” vira e diz “tudo a ver você com ‘lá fora’” (risos). Mas é um processo… Ainda preciso conhecer esse mercado “lá fora”.

FQ – E para finalizar, aproveitando a temática do “lá fora”: muitos festivais já se firmaram aqui no país – o Lollapalooza, por exemplo – e você já participou do Rock in Rio, que é made in Brazil mas já conquistou o mundo. Tem vontade de tocar em algum outro? Costuma frequentar esses eventos?
Alice – Tá aí uma coisa que eu tenho muito desejo de fazer, mas eu ainda não encontrei quem me ajude a viabilizar isso de fato. Eu adoro esse negócio de festival, eu curto demais! Tá todo mundo ali, tocando, sem pressão… Quer dizer, tem a pressão, mas fica muito mais diluída. Daí tem gente ali na plateia que foi para ver outro artista e acaba conhecendo seu som. Adoro esse clima, fico muito a fim de viver uma vida em festivais.