Foto: Divulgação

Crítica teatral | Sorria, Brigitte Bardot, você está sendo filmada

Se a Brigitte Bardot dos versos entoados por Tom Zé “está ficando velha”, aquela que vemos no palco do Pequeno Auditório do MASP interpretada pela talentosíssima Bruna Thedy está longe disso: em plena juventude, com uma personalidade forte que flerta entre a falsa inocência, o escárnio e o sentimento de solidão e sufoco causado pela fama, a Brigitte criada pela atriz enche os olhos e conquista já nos primeiros minutos.

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A peça Com Amor, Brigitte recria o período que a renomada atriz francesa visitou o Rio de Janeiro, nos anos 60. Após o intenso assédio da imprensa, Brigitte fugiu do hotel e se trancafiou durante quatro dias em um apartamento, antes de partir da capital fluminense rumo à Buzios. O texto de Franz Keppler transporta o episódio para o apartamento de um dos camareiros do hotel Copacabana Palace, interpretado pelo ator André Correa. Este inusitado encontro é o mote da narrativa.

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Sob a direção de Fábio Ock, Com Amor, Brigitte foge do convencional ao mesclar teatro com vídeo e performance. O cenário, genialmente pensado para ocupar o pequeno espaço disponível no Auditório, traz elementos como uma cama elástica (que serve de cama e “telão”) e inúmeras câmeras de seguranças, câmeras essas que são um dos maiores trunfos da montagem.

Como o texto aborda a questão da invasão da privacidade, fama e assédio, a escolha de instalar diversas câmeras em pontos estratégicos do teatro cai como uma luva: você se sente vigiado a todo o momento. Algumas cenas, inclusive, se passam diretamente sob a influências dos aparelhos, trazendo um quê de inovação à montagem e aproximando os personagens da nossa realidade.

André Correa funciona muito bem ao dar vida ao camareiro que ao mesmo tempo em que se vê diante de seu maior ídolo, percebe que naquele momento ele é a única pessoa que mantém Brigitte “estável”. Passado o encanto inicial, é ele também quem vai questionar a superstar quanto às suas dúvidas existenciais e dramas, colocando em cheque assim o endeusamento dos artistas.

Bruna Thedy acerta em cheio ao não tentar copiar/reproduzir Brigitte e sim criar a sua própria. É indiscutível o talento da jovem atriz: extremamente segura no papel, ela encanta no decorrer do espetáculo. É uma Brigitte madura, mas que ao mesmo tempo possuí toques de adolescente mimada. Sem nunca errar o tom (seja para o exagero ou para a apatia), Thedy tira de letra o papel de protagonista.

Apesar do texto não ser nada extraordinário, e acreditem, isso de forma alguma é algo negativo, a montagem no todo encanta pela originalidade e “ineditismo”.

Com Amor, Brigitte fica em cartaz até o dia 31 de julho no Pequeno Auditório do MASP, em São Paulo, com sessões às sextas e sábados, 21h, e aos domingos, 19h.