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Crítica | ‘Rocky Horror Show’ diverte e também discute gênero e liberdade sexual

Nós somos muito suspeitos a falar de Rocky Horror Show, afinal, como vocês muito bem sabem somos mega fãs do filme que lhe deu origem. Estávamos ansiosos por assistir à adaptação feita pela dupla Möeller & Botelho com Marcelo Medici na pele do protagonista Dr. Frank’N’Furter. Fizemos isso no último sábado, 12, e estamos encantados com tudo o que pudemos conferir.

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Vamos começar então pelo básico. Marcelo Medici não poderia ter sido uma escolha mais certeira para a missão que lhe foi dada. O extravagante, transexual e divertido Frank’N’Furter coube perfeitamente na proposta do ator para a personagem nos palcos. O humor ácido, a caracterização e o figurino, um toque de Mãe Jatira e Sanderson – quem já o assistiu em Cada Um Com Seus Pobrema vai conseguir perceber – e, voilà, tudo entra em sintonia, trazendo um riso fácil sem necessidade de apelações.

Foto: DivulgaçãoA discussão do gênero e a liberdade sexual gerada pelo clima que Dr. Frank’N’Furter cria são pontos altos que a peça inclusive trata com naturalidade. Não há repressão. É tudo sobre “Quero? Me dá prazer? Então posso!”.  Eis o que fazem Brad (Felipe De Carolis), Janet (Bruna Guerin), o protótipo Rocky (Felipe Mafra) – o homem loiro, alto, corpo perfeito e escultural, criado para satisfazer desejos carnais – e o cientista da Transexual Transilvânia. Todos se entregam ao prazer, divertem-se, indiferente da forma e com quem.

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Também merece muito destaque o cenário bem resolvido e adaptação das músicas. A porta da igreja se transforma no castelo sombrio e bizarro do cientista, assim como o quarto de hóspedes vira sala de experimentos magicamente, sem tirar a atenção da plateia na história. Enquanto isso, as canções em português não perderam o ritmo do que se conhece em Rocky Horror Picture Show e Richard O’Brien – autor do musical original, montado em 1973 – deve estar orgulhoso. Inclusive, o diretor Jim Sharman que nos perdoe, mas a trilha sonora da abertura do filme ganhou uma interpretação bem melhor e até com mais sentido na voz de Gottsha e na letra de Claudio Botelho.

O criminologista

Há também uma outra parte em que a versão teatral brasileira supera a cinematográfica. Todo o elenco – Bruna Guerin, Felipe de Carolis, Gottsha, Thiago Machado, Jana Amorim, Nicola Lama, Felipe Mafra, Vanessa Costa e Thiago Garça – é brilhante. Mas Marcel Octavio dá vida a um criminologista-narrador muito melhor que o da trama que chegou às telonas em 1975. Sua interferência pontualmente marcada na trama, a interação com a plateia e até mesmo a caricatura de locutor de rádio incorporada ao personagem tornam-no naturalmente engraçado, o que falta à versão de Charles Gray.

E quem ficou interessado em conferir a peça – nós vamos voltar mais algumas muitas vezes, rs – precisa correr. Rocky Horror Show ficará em cartaz no Teatro Porto Seguro em curta temporada, até 18 de dezembro. Os ingressos estão à venda pela internet e na bilheteria do teatro. A gente se tromba em alguma sessão, ok?

Rocky Horror Show
Quando:
Até 18 de dezembro de 2016, sextas e sábados, às 21h, domingos, às 19h
Onde: Teatro Porto Seguro – Alameda Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos – São Paulo/SP
Duração: 90 minutos de duração + 15 minutos de intervalo
Classificação Etária: 14 anos
Ingressos: Plateia: R$ 120,00 / R$ 60,00 (meia-entrada)
                     Balcão: R$ 50,00 / R$ 25,00 (meia-entrada)
                     Frisas: R$ 90,00 / R$ 45,00 (meia-entrada)