BBB 11: O Brasil que se diz liberal mostra-se conservador

Pois é Brasil, és tu que te diz “gigante em tua própria natureza” que te mostras eternamente conservador diante das coisas mais triviais. Foi exatamente isso que se assistiu hoje, neste primeiro paredão do Big Brother Brasil 11. Ariadna, a primeira transexual do programa, foi eliminada com 49% dos votos do público. Público este que se assusta ao ouvir falar de espancamento de gays na Avenida Paulista, em São Paulo. Público esse que se choca ao ver em rede nacional reportagens sobre agressões a homossexuais, sobre mulheres que recebem como condenação apedrejamento e tantos outros tipos de preconceitos presentes ainda neste século 21.

Ariadna é eliminada na primeira semana com 49% dos votos

Telespectadores esses que o tempo todo queriam ver o circo pegar fogo, queriam era saber qual dos rapazes iria beijar Ariadna e depois descobrir que ela, no seu passado, nasceu homem e atendia pelo nome de Thiago. Porém, ela – sim, ela, uma mulher, operada e com a cabeça de tal – não foi assim com tanta sede ao pote e se manteve contida nas ações. Enquanto tinha dentro de si o medo de ser rejeitada, de passar novamente por tudo o que já vivera, todo o preconceito, toda a discriminação de seu passado, omitiu dos confinados sua condição. E, não fosse pela mídia, até hoje todos ainda a tratariam apenas como Ariadna, mulher.

E o conservadorismo brasileiro não se vê apenas nessa edição do Big Brother Brasil 11. Se formos um pouco mais atrás, na ultima edição de A Fazenda, Nany People- também transexual – passou pelo mesmo tipo de  preconceito. E fica aqui o registro de que não apenas Nany, mas todos os participantes que se demonstrarem polêmicos no reality show.

Em um Big Brother Brasil 11, em que os “personagens” são tão apáticos, tão sem carisma e tão iguais, excluir de primeira a participante que era igual a todos, mas ao mesmo tempo diferente, mostra até mesmo o quão hipócrita e falso, infelizmente, é o Brasil. Mostra o quão fraca é a defesa dos homossexuais, transexuais, travestis, lésbicas e todas as outras minorias nesse País.

E ai, o leitor pode citar o caso de Jean Willys, vencedor do BBB 5, como contraponto aos fatos, mas vamos tocar em novos pontos. Jean ganhou R$ 1 milhão, não porque é gay e sim porque mostrou sua infância sofrida, sua pobreza e claro, em um País de compadecidos, ganhou o coração do público. E aí, volta para o leitor a seguinte confrontação: o que dizer então da última edição do reality que fez de um ex-BBB e evidentemente homofóbico o campeão. Como pesar então essas duas medidas? Cadê o Brasil que se diz liberal, que se pinta como um paraíso pra se viver?

Ariadna está fora. Não há mais o que fazer. É quase metade dos votos e isso representa muito. Os participantes do programa se chocam ao saber que ela um dia não foi mulher. “Ela era bonita, o tempo todo eu a tratei como mulher”, dizem os  Brothers uns aos outros. “Tudo o que ela me disse, eu entendi como a Ariadna, mulher, falando pra mim”, comenta o outro após a revelação. E é isso que se pode esperar de um Brasil pleno século 21, em meio a ataques a gays em uma das principais avenidas da principal cidade do País. O conservadorismo ainda vence, infelizmente.