Assistimos Looking e continuamos a procura por uma boa série de TV gay

colaboração de @2porfavor

Quando a HBO resolveu divulgar que desenvolvia uma série com temática gay para sua programação, criou-se um alvoroço na comunidade homossexual e, é claro, muita expectativa. Afinal, um canal com a reputação (às vezes bem questionável, porém sem perder sua importância e peso) da HBO poderia produzir um material incrível e mostrar um pouco do cotidiano gay para o público em geral.

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Enfim, obrigado pela tentativa, mas o episódio piloto de Looking (exibido nos EUA no dia 19) deixou a desejar e esperamos que isso mude de figura nos próximos sete episódios encomendados para essa temporada. Looking, que em português significa procurar, mas que fica melhor quando traduzido para o dialeto gay “caçar”, é água com açúcar e Sessão da Tarde. Algumas críticas positivas sobre a série foram publicadas esses dias, mas nada além da euforia de estreia de algo que foi tão esperado.

Ao terminar de assistir ao episódio, nem os nomes dos personagens é possível se lembrar sem ajuda. Os atores são bons e entregam uma atuação convincente, embora muitos sorrisinhos fofos daqueles de videoclipes da Katy Perry apareçam durante o episódio todo. Jonathan Groff faz o protagonista Patrick (obrigado IMDB!) que, mesmo sem termos certeza de por qual motivo, busca alguém para ter um relacionamento estável.

Desenvolvedor de vídeo games, Patrick é o fofo-certinho que parece sempre falar e fazer as coisas erradas. Na primeira tentativa de “procurar” alguém, ele já solta que foi "caçar" no parque para ver se as pessoas ainda fazem esse tipo de pegação. Aliás, essa é a primeira cena da série e também seu o primeiro clichê estigmatizador da comunidade gay.

Na sua roda de amigos, há Agustín, assistente artístico, que resolveu morar junto com seu namorado Richie. Aí, logo no primeiro episódio já fazem uma despedida de solteiro e o casal transa a três com o colega de trabalho de Agustín. Mas vale afirmar que nem todos os gays curtem ménage, ok?

Para fechar o ciclo sexual problemático dos gays, o trio de amigos se completa com Dom, o garçom de bigode. Dom teve um grande amor que acabou, mas ainda mantém contato. Após terminar o relacionamento, o moço parece ter perdido também o charme e o encanto pois não consegue mais pegar ninguém e, adivinhem só, acaba ligando para o ex. Quem nunca?

Mas, se tem um lado bom nisso tudo, é que a série não parece forçada, principalmente nas atuações. Mas há cenas longas e chatas sobre absolutamente nada. Não há menção alguma sobre o passado dos personagens, tirando a história sobre o grande amor de Dom. Um ponto forte sobre as cenas leves e gostosas de assistir é a impressão de que estamos conversando com nossos amigos, de maneira despretensiosa, em um dia tedioso de férias.

Talvez isso faça com que alguns espectadores se animem e pensem: “me identifico muito com tudo isso”, “parece minha vida com meus amigos” e “ah, no final das contas não é só putaria”. Mas isso não determina a qualidade de uma série de TV. O episódio acaba e a impressão que se tem é que não aconteceu muita coisa e que o tempo foi perdido.

Infelizmente, só existe de fato uma série com a qual se pode comparar Looking. E, como já havia afirmado a própria HBO, seu seriado deveria ser – e de fato é – diferente de Queer As Folk (2000–2005). Ok, também há Dante’s Cove (2005-2007), mas não passou de uma piada sobrenatural gay, enquanto caRIOcas foi uma tentativa brasileira bastante frustante.

Looking parece bem mais leve que Queer As Folk, que mostrava um mundo gay 90% cheio de baladas, cenas carnais e sexuais. O seriado da HBO é bem caseiro e botequeiro (de boteco, gente! Leiam direito!). Os barzinhos de São Francisco devem aparecer bastante como cenário e isso a gente agradece.

Porém, ambas as séries são de pouco, para não falar de nenhum, interesse para o público geral. No fim, parece ser o mais do mesmo: só os gays assistindo as mesmas histórias clichês de sempre dos gays da TV. Mas tomara que os próximos episódios nos façam mudar de opinião.