1984__ RonaldoGutierrezCréditos: Ronaldo Gutierrez

‘1984’, clássico de George Orwell, ganha montagem para os palcos pelo Núcleo Experimental

Muitas vezes as obras distópicas assustam por sua semelhança com a realidade com a qual estamos vivendo. É o caso de 1984, clássico de George Orwell, que se mantém relevante com o passar dos anos e vai ganhar uma nova adaptação para os palcos pelo Núcleo Experimental.

Com estreia marcada para o dia 1º de junho, o espetáculo vai ficar em cartaz no Teatro Anchieta do Sesc Consolação. Zé Henrique de Paula é o diretor à frente do elenco formado por Carmo Dalla Vecchia, Rodrigo Caetano, Gabriela Fontana, Eric Lenate, Rogerio Brito, Inês Aranha, Laerte Késsimos, Fabio Redkowicz e Chiara Scallet.

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Lançada em 1949, a obra se passa no fictício Estado da Oceânia, governado por um líder supremo chamado Grande Irmão, que chegou ao poder depois de uma guerra mundial que eliminou as nações e criou três grandes potências totalitárias. Esse Estado é pautado pela burocracia, censura e, sobretudo, pela vigilância. Quase sem qualquer forma de privacidade, cidadãos são espiados o tempo todo pelas “teletelas”, uma espécie de televisores espalhados nos lares e em lugares públicos, capazes de monitorar, gravar e espionar tudo.

O texto voltou a ganhar grande destaque no ano passado, quando sua polêmica e elogiadíssima montagem em Nova York – dirigida pelos ingleses Duncan MacMillan e Robert Icke – dividiu público e crítica. É a partir desta versão que a montagem brasileira teve seu ponto de partida.

A relevância de 1984

No centro da história temos Winston Smith, funcionário do Ministério da Verdade, responsável por falsificar registros históricos para garantir que eles respaldem os interesses do Grande Irmão. O protagonista detesta o novo sistema, mas não tem coragem de desafiá-lo. Ele apenas declara seu ódio nas páginas de um diário secreto. Isso muda quando ele conhece Júlia, uma funcionária do Departamento da Ficção. Juntos eles sonham com uma rebelião e praticam pequenos atos de desobediência.

“No Núcleo Experimental, costumamos dizer que os temas que nos interessam discutir sobre o palco são aqueles que nos provocam raiva. Esta montagem de 1984 vem contaminada dessa revolta” conta o diretor Zé Henrique de Paula. ““Ela ressalta e funde duas ideias aparentemente opostas, ficção e realidade. Qual delas é mais preponderante sobre a outra? Elas são necessariamente excludentes? No que acreditar mais, naquilo que se supõe ficcional ou no que nos ensinaram que é real?”.

O espetáculo fica em cartaz até o dia 8 de julho com sessões às sextas e sábados, às 21h, e aos domingos, às 18h. Os ingressos já estão à venda através do site do Sesc ou na bilheteria do local.